Apr 25

Padre voando em balõesSeres humanos são racionais.
Eles matam-se uns aos outros,
Por ódio, poder, medo, dinheiro, insanidade,
por amor, pra ir num show do Calypso,
Por puro prazer!

São racionais porque matam a si mesmos,
Por desespero, medo, insanidade, voando em balões, por amor,
Por puro prazer!

São racionais: deixam semelhantes morrerem de fome,
De frio, asfixiados dentro de carros.

Comentam das tragédias alheias no seus almoços de domingo.
Acompanham a dor como novela, e sentem prazer nisso.

Acreditam em deuses, e cultuam objetos.
Tratam o acaso como milagre e o desconhecido com preconceito.
Não conhecem seu passado e cagam no seu futuro.

Seres racionais.

Douglas Miguel
24/04/2008 às 23h00

Apr 24

Sabe o que eu amo nas pessoas? Amo as pessoas que gostam da vida, de aprender e se tornar mais interessante do que a maioria.

velho.jpgDas pessoas que pensam antes de falar e falam sem pensar, daquelas que são verdadeiras nos sentimentos. Daquelas que eu sei que nunca vão gostar de mim, nem perder dois minutos de conversa simplesmente porque não sentem vontade.

Gosto das pessoas que amam um estilo, que vivem suas raízes e pregam suas filosofias, que simplesmente não tem perfil, são tudo e todos, de acordo com a necessidade. Atores, profissionais ou amadores que exploram a dor de ser.

“De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? O antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa… da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro…
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem”

O Teatro Mágico – De ontem em diante

Apr 23

solidao.jpgÉ como sentir preso, um mundo diferente do seu,
E tentar não pensar só deixa extremo o sentimento,
Externa, dói, e mostra como está longe, cada vez mais.
É querer por um momento deixar tudo, sumir.

Afinal de contas, o que somos nesse mundo? Solitários.
Eu sou. Você poderia ser minha cura, ou meu vício, ou nada.
Possibilidades frustam, verdades machucam.

Uma ferida sobre outra, sobre outra, infinitos pensamentos,
Invadem, tomam e levam, às vezes a esperança, às vezes a paciência.
Um dia eles me levam, me levam daqui!

Douglas Miguel
11/09/2007

Apr 23

O toque dos seus lábios me arrepia,
É tenro como fruta macia.
O toque da sua pele, anestesia, paralisante,
Sentir o corpo se elevando.

Extasiar, não pensar em mais nada, aliás, não pensar
Abstrair a vida e todo o sentido.
Concentrado, o impulso toma conta,
A natureza fala mais alto, a vida ganha sentido.

Sentir o toque dos seus lábios,
Sua carne, nossos corpos,
Momentos eternizados.

Seu beijo, seu carinho, seu abraço.
E mais nada.

Douglas Miguel
23/09/2007 – 14h10

Apr 23

Saudade de um olhar afetuoso
Sorriso descomprometido, palavras sinceras,
Tardes divertidas, noites ociosas,
Luxúria, afeto, carinho…

Saudade do toque e do cheiro,
Pele macia, prazer intenso, culpa mútua,
Excitante perigo, cumplicidade harmoniosa.

Saudade dos segredos
Medos, choros, angústias,
Conselhos, sábios ou tolos
Conversas vazias e devaneios.

Os sonhos de menino
A inocência dos felizes para sempre.
Os filmes que não foram vistos,
As discussões que nunca terminaram.

Os defeitos que mudaram,
As qualidades que se foram,
O tempo que passou,
E amor, apenas saudade.

Douglas Miguel
Finalizado em 14/04/2008 às 21h00.

Apr 3

Dentro da noite é só escuridão
Eu tento sair, me soltar
Mas algo me prende
Pela garganta, peito e alma.

Sozinho não vejo saída.
No escuro não encontro ninguém.
No desespero eu me perco,
Em palavras e pensamentos.

Destino, fardo insofismável,
Repleto de fatalidades,
Cheio de angústia,
E a solidão parece piada.

Não é ela que me prende,
é a indecisão, contradição,
medo
          [o bobo medo
do tempo, da vida, da cobrança
          [de nada

A morte, sempre ela.
O tempo passa, e nunca estamos felizes,
sempre querendo mais,
mas é a escuridão que nos cerca,
sempre, para sempre!

Douglas Miguel
03/04/2008 às 20h20