Sep 27

Tenho tido em demasia nos últimos tempos, pessoas que adoro e converso todos os dias virtualmente, tenho diálogos, conto como foi meu dia, leio, desabafo, brinco, dou risada, me divirto, paz mundial, religião, política, sexo, vale tudo. Mas sinto falta de abraço, de toque. Estar nessa cidade louca, longe dos amigos, trabalhando muito e numa fase de “botar a casa em ordem” tem sido o grande desafio; tenho superado muito bem, porém expõe essas feridas, me deixa nu diante dessa necessidade de afeto.

É só saudade de alguém pra ligar, pra dar bom dia ou boa noite, perguntar como foi o dia só pra ouvir a voz, marcar um almoço só para estar junto, tomar um sorvete só pra ficar olhando nos olhos.

Vou me alimentando do virtual, que faz-se sentir como aquele alguém que está te olhando fixo, e mesmo de costas, você sente aquela necessidade de olhar, é sensitivo, é virtual!

Sep 14

Nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, frequentemente idealizado e irreal. É um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida. O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade, exemplo: se alguém sente saudades ou falta de um conhecido, este sentimento cessa ao se reencontrar a pessoa, com a nostalgia é exatamente o oposto, ao reencontrar um amigo que gostava de brincar, este sentimento nostálgico irá se alimentar e não diminuir como a saudade.

Eu sou um nostálgico, e fico nisso pensando quando me lembro do passado, dos tempos bons ao lados dos amigos, quando ouço uma música, quando leio algum bom texto, quando compartilho algo que gosto com alguém que se interesse.

Chego a ter vontade de chorar em certos momentos. Uma mistura de alegria e tristeza, de vazio e plenitude… Complexo demais para explicar em palavras, nostalgia é isso. E se você sentiu alguma vez na sua vida, vai saber exatamente do que eu falo.

So close no matter how far
Couldn’t be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Rômulo foi um cara que eu conheci numa festa do curso de Publicidade e Propraganda da UNIUBE, nem me lembro como fui parar lá…eu era um pirralho, tinha 13/14 anos, o mais novo da festa. Um caipira perdido, desajeitado. Bebi algumas cervejas e estava alto. Já eram umas 2 da manhã, uma rodinha “filosofava” sobre a vida. Restavam apenas algumas pessoas no lugar. Ele pegou o violão e cantou, Nothing Else Matters, o cara era bom, bom demais…alguém comentou que o sonho dele era ir pra Londres, tentar carreira. A festa acabou, tomei café na casa de uma desconhecida, fui pra casa. Nunca mais vi o Rômulo.

Alguns anos depois, quando eu era um integrante mais presente e respeitado na minha atual turma de amigos, descobri que o Rômulo era grande amigo de alguns da turma. E pouco tempo depois, a fatalidade, por causa de uma briga besta, uma namorada, ele se matou…um tiro na cabeça com a arma do pai. Ele achou que um amigo, o melhor amigo dele, estava traindo ele com ela, o cara é um conhecido meu, até hoje carrega essa culpa. Uma mentira idiota inventada por ela. Rômulo era impulsivo, tinha vários problemas na família, inconstante, um artista.

Não quis ir ao enterro, nunca gostei de cemitérios e só tinha visto ele uma vez. Meus amigos estiveram lá, eu deveria também.

Sempre que escuto a música lembro-me dele, sentado num banquinho de madeira, um violão, tirando as notas e cantando com uma perfeição de arrepiar. Nostalgia.

* Esse post foi escrito ao som de Nohting Else Matters – Metallica *
* Comunidade no orkut *

Sep 13

Livros em vários cantos, sei, já fui mais organizado…numa época em que eu lia apenas romances policiais, ouvia apenas BB King, Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana, Angra e Velhas Virgens. Eu sempre chegava ao trabalho no horário certo, nunca faltava às aulas, de estudar eu nunca fui mesmo; me aproveitando sempre dessa facilidade, sempre passava com boas médias.

Estagiário numa escola de informática, web-designer de uma empresa de fundo de quintal, que cresceu, se incubou numa universidade, cursos, responsabilidade, 15 anos. Namoro. Um dos idealizadores de um grande portal de busca, virou sucesso, pena que saí antes, já estava desgastado…montei minha própria empresa.

Me emancipei, fiz uma tattoo.

Tinha 16 anos, sala alugada no centro, conta em banco, um sócio e funcionários. Criamos um projeto inovador, vender porrinha de boi (inseminação), é, isso mesmo, e até ganhamos um bom dinheiro com isso. Virou referência na área, o tal “Portal do Sêmen”.
Ahh, as descobertas, segundo e terceiro colegial noturno…matar aula na sexta-feira pra ir comer costela e beber cerveja. Usar da emancipação pra simplesmente ir embora quando desse na telha.

Segunda tattoo.

Festa de formatura, a melhor da minha vida. Entrei na faculdade…Publicidade e Propaganda. Faltou grana, saí… Fiquei mal, grandes mentes conheci ali.

Meio do ano de 2005, vestibular apenas pra exercitar, 1º colocado! Bolsa de 80%, Sistemas de Informação… É isso então, vou mesmo me tornar um programador. Até então eu ainda tinha uma quedinha pelo mercado publicitário.
Mais decepções com projetos profissionais… Empresa quebrada, dívidas, nome sujo, tentativas frustradas de recuperação.
Decepção com o curso. Estudava muito por fora, web 2.0, criação de sites profissionais, portais; meu curso não tinha grandes matérias relacionadas… Aprendi o que pude nas aulas, mas simplesmente ignorava algumas; fazia o necessário pra passar.

Chegar um pouquinho mais tarde no trabalho. Faltar ao trabalho, aos dois empregos… Beber, encher a cara… Já tinha respeito nessa época, era um dos melhores da área na minha cidade. Eu me achava “o cara”.

Aí fudeu tudo, amigos se mudam pra Sampa, Uberaba começou a ficar pequena demais pra mim, já conhecia todo mundo na minha área, já tinha trabalhado em todos os lugares, já tinha feito de tudo, tentado de tudo. Uma professora do curso quase arrumou minhas malas ela mesma… Obrigado Cidinha. Término de um longo relacionamento… Sampa!

Terceira tattoo.

Livros por todos os cantos, DVD’s, mantimentos, produtos de limpeza, uma garrafa de vodka vazia e uma Black Label pela metade sobre o guarda-roupas comprovam, já fui mais organizado.

Sep 10

Senhorita Rosa escreveu sobre, me levou ao post do Ian e do Gustavo, e resolvi me divertir aqui na minha longa lista de MP3 e fazer uma pequena seleção sem critérios e sem vergonha.

How Cold I Know – Zé Ramalho
Não tenho muito o que dizer, é Raulzito, poesia, mensagens subliminares, rebeldia e verdade. É, eu gosto. Versão do CD que o Zé Ramalho gravou só com canções do Raul, excelente.

Butterfly - Weezer
Letra abstrata, viajem, eu sei, mas essa música diz muito…e é bonitinha, a melodia, o jeito como é cantada. “But I ain’t never coming back / I’m sorry”!

Roulette - System of a Down
Música para sentimentos, momentos e amores confusos.

Tom’s Diner - Susan Vega
Essa é das antigas, também é umas daquelas que foi “simpatia à primeira ouvida”. História sem segundas intenções de um dia chuvoso.

Pequeno Dicionário das Grandes Coisas (parte 2) – Pifarinha
Provável que ninguém conheça, banda independente da região onde nasci e cresci (Triângulo Mineiro). Ótimo som, que mistura vários estilos, brasileiro, do sertão, sertão da farrinha podre. A música na verdade é um ‘causo’ cantado…me lembra o meu avô falando. Blog da banda: http://www.pifarinha.blogspot.com/

Espere por mim Morena - Natiruts
Luau MTV com a banda Natiruts e essa belíssima música do Gonzaguinha numa versão reggae. Adoro.

Disritmia – Martinho da Vila
Pagode, sim, com uma letra ótima. Sensível e boemia declaração de amor.

Angels Cry – Angra
Típico do estilo, belas arranjos, muita guitarra, voz característica…tenho meus dias pra isso. Já foi minha banda favorita, quando tinha uns 12, 13 anos.

Home – Alan Jackson
Country music, joguem pedras…também vai de momento. Mas gosto, essa música principalmente, dá pra sentir que a letra é cantada com a emoção que necessita.  O country tem disso, emoção; tá lado a lado com o blues.

Núcleo Base – Ira!
Assim como Engenheiros do Hawaii; tem gente que ama, gente que odeia. Eu tenho a discografia, ouvi, ouvi novamente, e das mais de 100 músicas, digo que montaria talvez 1(um) CD. O resto eu jogo fora. Mas poxa, pelo menos uma música você (xiita) poderia admitir que simpatiza!
Eu gosto dessa pela rebeldia, “eu quero me alistar, mas não com essa fardaaaaaaa”. 

Santeria – Sublime
Quem disse que só os sertanojos brasileiros vivem de dor de cutuvelo. Essa é uma clássica, corno puto da vida ameaçando o Sancho, o tal Ricardão ticano…também imaginou um bigode gigante e um sombrero?

 

É isso, voltemos a programação normal, e quando der vontade eu faço outra.

Sep 9

Olhar distante, queria estar longe mas se perde dentro de mim. Não consigo descansar, nem quando durmo. A cabeça não para, vai e volta num ciclo viciante de tudo!

Fase complicada, vou me afundar em trabalho por um tempo pra relaxar. Dar tempo ao tempo…tempo…tem-po…palavra escorregadia, passa por ti e você nem percebe; depois volta te cobrando promessas, sonhos e angústias. Olho distante porquê não estou aqui. Onde troca de canal?

Entre tantos começos e recomeços na vida e ainda me perco; foi mais fácil me mudar de cidade, sem grana e cheio de disposição; trocar sentimento é ainda um mistério…

Sempre tive dificuldade para criar raízes, mas elas vão fundo. Vou botar um pouco de supérfulo na vida, preencher o vazio com mais vazio.

Se perguntarem por mim, diz que fui por aí!

Sep 7

Foi tão bom ouvir tua voz, tanto tempo depois, amadureceu, gostei. Foi bom te ver guerreira, firme. Enfrentando a vida como eu sempre quis te ver, sempre te soube capaz.

Não sei onde tudo isso vai dar, mas fico feliz em saber que consegui te passar algo de bom (sim, vejo muito de mim nestas atitudes); e saber que você vai vencer, independente de quem esteja ao seu lado; porém não nego que vejo-me nesta cena.

Fato é que tirei um peso das costas, umas duas toneladas…acordei bem hoje, certo de que tomei a melhor decisão, e de as coisas estão caminhando na sua ordem natural. Às vezes as falhas trazem coisas boas consigo. Bom ouvir tua voz.

Mais uma vez bateu forte aquela vontade de cuidar, abraçar, conversar, guiar e acalmar. É simples meu desejo: fazer-te feliz, ser o teu alicerce. Problemas vêm e vão…mas os sentimentos ficam!

Você merece mais que uma vida presa em apenas um lugar. Tem força, precisa viver o mundo. Vem, vamos rodar!

Sep 7

Noite quente, pensamentos fervendo
inspirações em ebulição; e desordem dentro de mim
Vinho, cerveja, qualquer coisa; falta gelo; não vai resolver.
Palavras secas, desejos sólidos e sede; vontade…
Que se mistura com paixão, saudade; ou seria só vontade mesmo?
Paixão e vontade…é mistura que instiga e alimenta. O que em falta eu busco nos versos, nas rimas, nas manias de procurar por algo ou alguém…

Manias de provocar, inspirar e daí então encontrar, encontrar em ti versos que acalmam e rimas que surpreendem.
Encontrar em ti detalhes perdidos que sempre quis observar; sem relevância se posso tocar, me importa sentir. As horas caminham pra lugares que não posso ver…
Lugares fantásticos, que minha alma toca em sonho, sente. E se perde nos tais detalhes.

Perco-me, deixo-me assim ao consumo, ao delírio, ao insano;profundo.
E então me encontro no teu olhar, que mesmo distante se faz presente, expressão que marca!
Me encontro e me esqueço, porque teus olhos me prendem. Lentes são grades, marcas… Fascínio. Me rendo, a você e a isso que não consigo definir se é real ou lúdico, se é profano ou poético. Me rendo as suas complicações, frustações, seus instintos. Noite quente, pensamentos fervendo, ebulição em mim.

** Escrito na madrugada do dia 07/09 em conjunto com a Joyce, que me guiou sóbria entre as palavras desconexas na minha cabeça. **

Sep 4

“Tome conselhos com o vinho, mas tome decisões com a água”, Benjamin Franklin.

Não Mr. Franklin, tomo decisões com o coração, com lirismo e com um bom copo de vinho. Ele não muda minha essência, apenas abre os olhos para um mundo que não se mostra quando sóbrio.

Adoro sentir teus “sentidos”, não pare, não mude, não me deixe só com minhas linhas vazias…não ouse; ou melhor, ouse, ouse mais e entorte mais e mais tais frases.

Ousado é teu olhar, tua coragem, se mostra de maneira autêntica. Eu aprecio, tiro meu chapéu, me desculpo; e deixo aqui mais uma última reverência, antes de terminar a última dose e dormir.

Sep 4

…para aquecer a alma deste que se torna frio; que se perde em trabalho e responsabilidades. Esse que errou um dia por omitir, temer e mentir; hoje peca pelo excesso. Cuidado, sinceridade pode fazer-te perder o tato, que tem falhado com preocupante regularidade. Guarde para si verdades que não vão mudar em nada o curso do rio…e use com sabedoria QUANDO e SE necessário. Tolo!

- Ei, garçom, não demore com o vinho, não demore…

Sep 2

Fazendo a barba, ele pensava em como odiava fazê-lo. Era por ela, que pedia com aquele jeitinho todas as vezes que percebia que ele se “esquecia”.

Conheceram-se há alguns anos, no cursinho, mas foi só quando se reencontraram naquela tarde fria num café do centro da cidade que se perceberam.

Alguns minutos trocando olhares desconfiados, do tipo “te conheço, mas to envergonhado de perguntar”, ela quebrou o gelo, “Gustavo”?

Telefones trocados, beijos e depois promessas, e ele coloca o barbeador de volta no seu lugar de sempre.

(Pequeno conto que escrevi meses atrás, que inspirou uma idéia de um projeto que falarei mais em breve!)

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