Nostalgia

Nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, frequentemente idealizado e irreal. É um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida. O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade, exemplo: se alguém sente saudades ou falta de um conhecido, este sentimento cessa ao se reencontrar a pessoa, com a nostalgia é exatamente o oposto, ao reencontrar um amigo que gostava de brincar, este sentimento nostálgico irá se alimentar e não diminuir como a saudade.

Eu sou um nostálgico, e fico nisso pensando quando me lembro do passado, dos tempos bons ao lados dos amigos, quando ouço uma música, quando leio algum bom texto, quando compartilho algo que gosto com alguém que se interesse.

Chego a ter vontade de chorar em certos momentos. Uma mistura de alegria e tristeza, de vazio e plenitude… Complexo demais para explicar em palavras, nostalgia é isso. E se você sentiu alguma vez na sua vida, vai saber exatamente do que eu falo.

So close no matter how far
Couldn’t be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Rômulo foi um cara que eu conheci numa festa do curso de Publicidade e Propraganda da UNIUBE, nem me lembro como fui parar lá…eu era um pirralho, tinha 13/14 anos, o mais novo da festa. Um caipira perdido, desajeitado. Bebi algumas cervejas e estava alto. Já eram umas 2 da manhã, uma rodinha “filosofava” sobre a vida. Restavam apenas algumas pessoas no lugar. Ele pegou o violão e cantou, Nothing Else Matters, o cara era bom, bom demais…alguém comentou que o sonho dele era ir pra Londres, tentar carreira. A festa acabou, tomei café na casa de uma desconhecida, fui pra casa. Nunca mais vi o Rômulo.

Alguns anos depois, quando eu era um integrante mais presente e respeitado na minha atual turma de amigos, descobri que o Rômulo era grande amigo de alguns da turma. E pouco tempo depois, a fatalidade, por causa de uma briga besta, uma namorada, ele se matou…um tiro na cabeça com a arma do pai. Ele achou que um amigo, o melhor amigo dele, estava traindo ele com ela, o cara é um conhecido meu, até hoje carrega essa culpa. Uma mentira idiota inventada por ela. Rômulo era impulsivo, tinha vários problemas na família, inconstante, um artista.

Não quis ir ao enterro, nunca gostei de cemitérios e só tinha visto ele uma vez. Meus amigos estiveram lá, eu deveria também.

Sempre que escuto a música lembro-me dele, sentado num banquinho de madeira, um violão, tirando as notas e cantando com uma perfeição de arrepiar. Nostalgia.

* Esse post foi escrito ao som de Nohting Else Matters – Metallica *
* Comunidade no orkut *

3 comentários

  1. Joyce Rodrigues Says:

    Sem palavras…

  2. Srta. Rosa Says:

    É moço, e isso piora com o tempo. Acho que temos mais memórias pra ter com saudades que jamais serão ‘matadas’.
    Seja lá como for faça o melhor que puder. E ouça Nothing Else Matters ou qualquer como um hino, pra te lembrar que a vida é esta; aqui e agora é o seu tempo e que você vai dar um jeito de ficar mais animadinho, hã?
    (Olha eu falando, rabugenta em uma segunda-feira…)

    Suerte!
    ps: não entendi a parte do comentário sobre ‘música’.

  3. Joyce Rodrigues Says:

    O que será que me dá
    Que me bole por dentro, será que me dá
    Que brota à flor da pele, será que me dá
    E que me sobe às faces e me faz corar
    E que me salta aos olhos a me atraiçoar
    E que me aperta o peito e me faz confessar
    O que não tem mais jeito de dissimular
    E que nem é direito ninguém recusar
    E que me faz mendigo, me faz suplicar
    O que não tem medida, nem nunca terá
    O que não tem remédio, nem nunca terá
    O que não tem receita

    O que será que será
    Que dá dentro da gente e que não devia
    Que desacata a gente, que é revelia
    Que é feito uma aguardente que não sacia
    Que é feito estar doente de uma folia
    Que nem dez mandamentos vão conciliar
    Nem todos os ungüentos vão aliviar
    Nem todos os quebrantos, toda alquimia
    Que nem todos os santos, será que será
    O que não tem descanso, nem nunca terá
    O que não tem cansaço, nem nunca terá
    O que não tem limite

    O que será que me dá
    Que me queima por dentro, será que me dá
    Que me perturba o sono, será que me dá
    Que todos os tremores me vêm agitar
    Que todos os ardores me vêm atiçar
    Que todos os suores me vêm encharcar
    Que todos os meus nervos estão a rogar
    Que todos os meus órgãos estão a clamar
    E uma aflição medonha me faz implorar
    O que não tem vergonha, nem nunca terá
    O que não tem governo, nem nunca terá
    O que não tem juízo

    *(O que será – Chico)

Deixe seu comentário:

Atenção: Este comentário precisa ser aprovado pelo moderador.