Nov 20

Papel de bala amassado sobre o criado-mudo. Escuro, pequena mecha de luz que entra pelas arestas da janela. Ela se ajeita delicadamente sobre seu peito, a mão carinhosamente se aconchega na dele.

Silêncio cúmplice de ambos pensamentos. Pensavam no amor…  misterioso como o sentido da vida, qualquer explicação para o que acontece pós-morte, Deus, Alá, Buda, etc, apenas sub-conceitos.

Sabiam-se felizes naquele momento, do jeito deles. As mãos dele passeavam pelos longos cabelos negros.

Ela pensava em como era possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Era intenso, era verdadeiro…era amor, só podia ser…’mas qual é mesmo a base de comparação?’ – e isso só fazia recomeçar o ciclo. Ele pensava em como gostaria de amar um dia…como será…é melhor do que esse frio que sente no estômago quando a vê? Melhor do que suar frio quando se olham nos olhos?

Calados…se olham nos olhos e sorriem, amarelo e culpado. Quanto mais tempo duraria? Iam sequer se olhar novamente? Não sabiam…mas sabiam-se um do outro naquele instante…e a conclusão veio na sinergia, é isso, isso o amor.