May 23

Não tenho medo do desconhecido, nem temo estar só, em todos os sentidos; fiz minhas escolhas e a vida segue. Medo eu tenho do meu “sexto sentido”, do que sinto em relação ao mundo, a sensível perpecção que muitas vezes tenho dele.

Estar certo em relação as minhas previsões me assusta, me enche de preconceitos para a tentativa; e este nem é o maior medo, pois sabendo da mínima chance de estar errado à “primeira impressão” arrisco, claro, preparado para a mágoa que segue. Acho que tenho um Q masoquista. É prazeroso saber-se certo.

O meu medo maior é a dor que sinto quando as outras pessoas não correspondem as minhas expectativas, quando são elas que não percebem o que se passa, quando elas fazem suas próprias escolhas…quando contrariam meu egoísmo e fazem o acham que é certo, afinal, se é a decisão delas, é o CERTO. Tenho medo do meu egoísmo, pois é ele que machuca.

May 15

Viver exije muito tempo. Quando não se dispõe disso o melhor é deixar as coisas acontecerem num ritmo naturalmente lento, mas que respeita sua própria evolução.

May 10

Sábado foi um dos dias mais conturbados do ano, e mais importantes também.

Acordei tarde, quase meio-dia, almocei uma tigela de açai e prova às 14h00 na Av. Paulista, faculdade IBTA, finalmente resolvi arriscar tudo, voltar pra faculdade e terminar a graduação, pretendo eliminar 6 meses do curso de 2 anos e meio, e em 2011 estarei me formando.

Deveria ter dormido melhor e o preço eu paguei mais tarde, a prova foi tranquila, inclusive, tinha feito o mesmo vestibular em maio/2008, mas na época optei por não começar o curso, e tinha até mesmo questões iguais. Preguiça de montar outra prova?

Depois de sair da IBTA, fui pra casa, me troquei e já fui direto pra USP, pois tinha a corrida, Fila Night Run, prova de 5km que me inscrevi logo depois que voltei a correr. Nunca tinha participado de nenhum evento do tipo, e confesso que fiquei surpreso com a estrutura e quantidade de pessoas envolvidas. Só neste evento, 10.500 inscritos. Tinha sorteio de prêmios, distribuição de frutas, DJ, banda e muita mulher bonita, mocinhas e coroas cheias de saúde…gostei do ambiente :P

Logo na largada (20h00), começou a chover de fininho. No começo foi até difícil correr, muita gente, muitaaa gente mesmo, os mais apressadinhos foram saindo pelos cantos e passando. Alguns minutos após a largada veio a cobrança pela noite mal dormida, a canela direita começou a doer, parecia que gritava implorando para parar.
A coisa ficou realmente feia no km 2, pensei por vários momentos em desistir. Na metade desse km teve posto de hidratação, tomou uns goles de água esperando aliviar, nada. A chuva apertou.
Quando finalmente cheguei ao km 3 estava quase em desespero, muita dor, e sentimento de que não iria conseguir. Aí me veio na cabeça que não, que a idéia de fazer aquilo era exatamente essa, me superar, vencer minhas limitações, vencer a dor. E tinha mais, na noite passada eu deveria ter me cuidado, estava pagando caro por isso. Precisava terminar de qualquer forma. Munido desses pensamentos, e tentando esquecer a dor, consegui terminar a prova, nem acreditava quando enxerguei o cronômetro na linha de chegada. Ainda tive pique para apertar o passo nos últimos metros e chegar antes dos 30 minutos.

Cheguei ensopado, mas a canela já tinha parado de doer, eu nem tinha me dado conta. Peguei a medalha (todos que terminam a prova ganham, coisa fina), e fiquei debaixo de um temporal esperando o pessoal terminar a prova de 10km pra voltar pra casa. Cheguei em casa quase 23h00, tomei um banho quente, comi como um ogro e tive meu merecido descanso.

Hoje foi dia de averigar resultados: saiu o gabarito da prova da IBTA, acertei 35 questões em 40, agora é esperar a lista de aprovados. Tenho certeza que passei e já estou me preparando psicologicamente para os R$ 790,00 mensais. Os resultados da Fila Night Run também foram ótimos, tempo total: 29m11s, colocação: 547 na prova de 5km. Para quem começou a treinar à pouco mais de um mês foi acima da média. Pretendo continuar correndo, nessa mesma pegada, apenas pela prazer da coisa, só não sei ainda como vou conciliar isso com os horários da faculdade.

A conclusão é, além de importante, o final de semana foi produtivo.

May 10

Sempre me esqueço que eventos gratuitos e massivamente divulgados em SP (ou qualquer lugar) acabam se autodestruindo com a mesma rapidez que uma enchente inunda avenidas litorâneas.

Inocente da minha parte ignorar o ideal “pão e circo” da Virada Cultural, mais ainda foi me programar para assistir aos shows principais, mesmo que apenas alguns; porém esse ano nem com isso poderia contar, tudo encheu, até mesmo o ‘cine zumbi’, eu juro que tentei ao máximo evitar ‘os populares’.

Fato que estou em casa agora, sábado, próximo das 2h00, sem sono, numa mesa de RPG, prestes a iniciar mais uma sessão de AD&D com a galera. Por quê? Já que não estou cansado e meus acompanhantes pediram arrego. Nota mental: na próxima levar pessoas com culhões para encarar aquele pedacinho do inferno, eu sei que não é pra qualquer um respirar fumaça de maconha a noite toda.

Duas situações engraçadas valem ser mencionadas dentre as várias vistas no evento:
1. Uma mulher (assim, parecia O.o) chega em um PM, estavámos passando bem ao lado no momento, e ouvimos: “O senhor (sic!) sabe me informar onde tá rolando funk?” (esquecerem de avisar pra ela que é virada CULTURAL).
2. Passando pelo palco do Largo do Arouche, enquanto rolava Reginaldo Rossi (sic!), eu ouço de um cara numa rodinha: “O cara só é corno se for curioso!”. (verdade absoluta!)

Agora RPG.

 

Este post foi escrito na madrugada do dia 3 de maio, no meu caderno de anotações de RPG enquanto esperava a sessão começar, somente hoje que parei para digitá-lo.