May 21

Hoje foi o dia que escrevi minha carta de demissão. Quando me lancei no mundo, em 2007, não imaginei que fosse tão surpreendente, tão avassalador…você nunca mais é o mesmo depois que se vê fora do seu mundinho fantástico, longe dos amigos, das famílias, dos problemas mesquinhos, do cotidiano.

De repente eu era um homenzinho, com problemas de gente grande, e hoje, orgulhoso, sei que posso tomar uma decisão tão séria com a cabeça tranquila, com segurança.

Encerra-se mais um ciclo na minha vida, com chave de ouro diga-se de passagem: assinei minha carteira no dia 20/junho de 2007 e começo o novo emprego no dia 21/junho de 2010, exatos 3 anos. Recomeçarei minha vida em Joinville, Santa Catarina; uma cidade (e região) que me encantou desde a primeira visita, ano passado, e por lá pretendo ficar até a necessidade de mudança novamente bater em minha porta.

Se estou com medo? Muito. Larguei estabilidade, oportunidade de crescimento e todo aquele blá blá blá que mães falam pros seus queridos filhos para viver meu sonho de ser um “espírito livre”, do mundo…conhecer culturas, viver experiências novas. Ok, menos, volto pro chão, ainda não botei uma mochila nas costas e saí por aí, mas estou firme na meta de viver intensamente todas as oportunidades que a vida me der até me cansar…até me ver com vontade de criar raízes.

Fiquei extremamente feliz de ouvir das pessoas com quem trabalhei aqui na Cásper Líbero durante esse tempo palavras de apoio, carinho e clara demonstração do respeito que eles tem pelo meu trabalho, muitos passam por aqui, poucos tem esse privilégio. Ontem, quando conversei com meus coordenadores, na volta pra casa, os olhos estavam marejados. Fiz questão de voltar caminhando pra casa, curtindo o vento gelado de sampa que esteve presente em tantos momentos importantes por aqui.

Veio pra São Paulo um menino prepotente que achava que sabia o suficiente, que sonhava desbravar o mundo o mais rápido possível, sai daqui, no dia 20/junho de 2010, um homem que sabe que é um profissional dedicado que ainda tem muito o que aprender, que é só mais um entre tantos outros e que um dia, talvez, se ele se esforçar de coração, ele possa dizer que cumpriu uma humilde parcela dos planos.

Que mais uma vez eu consiga atrair pessoas fantásticas para meu convivio, que mais uma vez eu possa ter humildade para aprender com toda a nova vida que vou levar e que as portas que deixei abertas possam sempre me receber com carinho e respeito conquistados em todo esse tempo.

Esse é um trecho de um email que mandei aos meus amigos avisando das novidades, e resolvendo algumas questões pendentes:

(…)

Como eu disse ao Gui, meu plano inicial jamais foi ficar em SP o resto da vida, quero viajar, conhecer lugares, adquirir bagagem cultural e tudo o mais, tenho a mente livre e quero viver isso. Não estou preocupado no momento com planos futuros a longo prazo e necessidade de ficar raízes.
Sem falar que já estou à algum tempo me sentindo um pouco sufocado em por aqui, precisando respirar novos ares. Então, estou lançando novamente o dados do caos pra ver o que acontece.

Na pior das hipóteses dá tudo errado, e eu terei que começar denovo.

Eu acabei de fazer 23 anos, acho que dá tempo…
Deve ter umas 500 Joinville pelo Brasil afora, e mais algumas muitas Cásper Líbero por aí.
Estou jogando pro alto emprego fixo, garantias, estabilidade e blá blá para viver um sonho…é preciso fazer para saber se vai valer a pena.

Acho que ainda tinha muita coisa para falar, mas sou nostálgico, vou me alongar demais.

Pra fechar, vou repetir aqui o trecho de música que coloquei no post de quando me mudei para sampa, que parece que foi feita para com extrema exatidão para essas situações:

“Hoje os ventos do destino
Começaram a soprar
Nosso tempo de menino
Foi ficando para trás
Com a força de um moinho
Que trabalha devagar
Vai buscar o teu caminho
Nunca olha para trás”

É da música Depois de Nós, do Engenheiros do Hawaii.

May 17

Normalmente nas turmas que me meto sou sempre o caçula, o mais novo, o pentelho, o muleque; e sempre gostei desse status, uma mistura de maduro com toque de abusado.

E graças a essa vivência acabo por participar de problemas de amigos queridos que eu só deveria ter alguns anos depois, e acabo aprendendo com o erro deles; evito cometer as mesmas cagadas. Tem gente do tipo masoquista que diria que é isso errado, e que bonito mesmo é cometer os mesmos erros…besteira, afinal, a lei máxima é que sempre cometeremos erros, se não cometer esses, cometerei outros; pelo menos eu estou sendo original, fugindo do clichê; talvez isso torne os meus erros inovadores mais fáceis de serem perdoados.

Outra vantagem de ser caçula é clássica: ser tratado com um certo carinho pelos mais velhos em volta, coisa de instinto, de proteger o futuro da manada mesmo…presente sutilmente em algumas atitudes. Mas essa conflita bastante com meu comportamento precoce, e gosto disso, existe um misto de respeito aliado a esse cuidado todo.

O único problema, claro, tem que exister problemas, é por muitas vezes me tornar o careta e/ou chato para as que vivem plenamento sua idade, e não conseguir conviver com eles sem uma hora ou outra me pegar censurando-os pelas suas preocupações “medíocres”, aos meus olhos insensíveis, claro…porque os problemas nunca mudam, apenas as perspectivas.

Então eu sigo lutando contra essa limitação de relacionamento e aprendendo com os mais velhos ao meu redor e suas falhas interessantes aos meus olhos.

May 16

Final de semana de Virada Cultural. Esse ano não fui, mas, voltando de um boliche com os amigos me pus a pensar como as coisas estão nesse momento: parecidas com o ano passado; aqui só, ouvindo um blues (como se fosse novidade) e degustando sentimentos como: vazio interno, confusão, solidão, saudades, urgência de fazer as coisas se movimentarem.

Fato: estou solteiro novamente, sempre estive né, mas agora, além de solteiro, sozinho…como há tempos não fico. É interessante perceber que minhas postagens por aqui tendem a aumentar nessas situações. Preencher essa lacuna com palavras é algo que alivia um pouco.

Eu não estou triste, as coisas não acabaram mal (podia ter sido mais maduro, ok, mas paciência) mas o saldo é positivo, cinco meses com poucos momentos juntos (devido à distância) porém intensos na maior parte…foi interessante e sei que vou levar muito dessa vivência comigo. Ficaram portanto, boas lembranças e alguns leves lamentos por planos que ficarão apenas na memória.

Estou só, e não gosto de estar só, não consigo extornar para o mundo o melhor de mim quando estou reflexivo e resignado (passivo diante das coisas). Eu gosto de cuidar, de amizade, de dividir. Sinto os meus problemas torne-se-ão menores quando estou cuidando de outrem, é maluco, eu sei…mas vejo isso claramente depois desses anos todos.

E retomando o raciocínio do começo, espero que essa sensação de voltar no tempo, de viver um final de semana de Virada Cultural com as mesmas sensações que final de semana Virada do ano anterior acabe logo e o resto, a solidão, a vontade de mudar, essa coisa engasgada eu sei que a vida vai cuidar quando ela bem entender.