Hoje foi o dia que escrevi minha carta de demissão. Quando me lancei no mundo, em 2007, não imaginei que fosse tão surpreendente, tão avassalador…você nunca mais é o mesmo depois que se vê fora do seu mundinho fantástico, longe dos amigos, das famílias, dos problemas mesquinhos, do cotidiano.
De repente eu era um homenzinho, com problemas de gente grande, e hoje, orgulhoso, sei que posso tomar uma decisão tão séria com a cabeça tranquila, com segurança.
Encerra-se mais um ciclo na minha vida, com chave de ouro diga-se de passagem: assinei minha carteira no dia 20/junho de 2007 e começo o novo emprego no dia 21/junho de 2010, exatos 3 anos. Recomeçarei minha vida em Joinville, Santa Catarina; uma cidade (e região) que me encantou desde a primeira visita, ano passado, e por lá pretendo ficar até a necessidade de mudança novamente bater em minha porta.
Se estou com medo? Muito. Larguei estabilidade, oportunidade de crescimento e todo aquele blá blá blá que mães falam pros seus queridos filhos para viver meu sonho de ser um “espírito livre”, do mundo…conhecer culturas, viver experiências novas. Ok, menos, volto pro chão, ainda não botei uma mochila nas costas e saí por aí, mas estou firme na meta de viver intensamente todas as oportunidades que a vida me der até me cansar…até me ver com vontade de criar raízes.
Fiquei extremamente feliz de ouvir das pessoas com quem trabalhei aqui na Cásper Líbero durante esse tempo palavras de apoio, carinho e clara demonstração do respeito que eles tem pelo meu trabalho, muitos passam por aqui, poucos tem esse privilégio. Ontem, quando conversei com meus coordenadores, na volta pra casa, os olhos estavam marejados. Fiz questão de voltar caminhando pra casa, curtindo o vento gelado de sampa que esteve presente em tantos momentos importantes por aqui.
Veio pra São Paulo um menino prepotente que achava que sabia o suficiente, que sonhava desbravar o mundo o mais rápido possível, sai daqui, no dia 20/junho de 2010, um homem que sabe que é um profissional dedicado que ainda tem muito o que aprender, que é só mais um entre tantos outros e que um dia, talvez, se ele se esforçar de coração, ele possa dizer que cumpriu uma humilde parcela dos planos.
Que mais uma vez eu consiga atrair pessoas fantásticas para meu convivio, que mais uma vez eu possa ter humildade para aprender com toda a nova vida que vou levar e que as portas que deixei abertas possam sempre me receber com carinho e respeito conquistados em todo esse tempo.
Esse é um trecho de um email que mandei aos meus amigos avisando das novidades, e resolvendo algumas questões pendentes:
(…)
Como eu disse ao Gui, meu plano inicial jamais foi ficar em SP o resto da vida, quero viajar, conhecer lugares, adquirir bagagem cultural e tudo o mais, tenho a mente livre e quero viver isso. Não estou preocupado no momento com planos futuros a longo prazo e necessidade de ficar raízes.
Sem falar que já estou à algum tempo me sentindo um pouco sufocado em por aqui, precisando respirar novos ares. Então, estou lançando novamente o dados do caos pra ver o que acontece.
Na pior das hipóteses dá tudo errado, e eu terei que começar denovo.
Acho que ainda tinha muita coisa para falar, mas sou nostálgico, vou me alongar demais.
Pra fechar, vou repetir aqui o trecho de música que coloquei no post de quando me mudei para sampa, que parece que foi feita para com extrema exatidão para essas situações:
“Hoje os ventos do destino
Começaram a soprar
Nosso tempo de menino
Foi ficando para trás
Com a força de um moinho
Que trabalha devagar
Vai buscar o teu caminho
Nunca olha para trás”
É da música Depois de Nós, do Engenheiros do Hawaii.