Feb 1

Morte instantânea naquele olhar não correspondido, na pico da alegria, no seu ‘não’, em meus medos; naquele segundo de adrenalina antes dos teus lábios se moverem.
Óbito quando discutimos amenidades, quando sinto raiva; te tenho em fúria, misto de tesão e desejo.

Sentimento de perda quando te deixo, quando és vulto em meu sonho; e se desfaz em névua no abrir de olhos.

Desejos sem sentido que tenho por tudo, e que se perdem em morte fria. Desejos ocultos por ti que ressucitam em explosões curtas.

Jan 24

Engraçado como não te reconheci das últimas vezes que te vi. Muito mudou, já fazem anos…é…anos, aqueles mesmos que nos juramos inúmeros momentos. Dois meninos.

Sempre que te vejo sinto algo novo, talvez seja isso que impeça de explicar.
Tem algo intágivel que sempre vai permanecer adormecido (agora) dentro de mim, é você, mas o ‘você’ que eu conhecia, ‘você minha’.

Preciso ser claro, esse texto não é mais um daqueles lamentos de perda. Esse tempo já se foi. Tem dias que bate forte um mal estar, apenas me lembro do ‘poderia ter sido’.

Feliz cá estou, depois de um ano duro. E essa tranquilidade me abriu portas, muitas (sim, acredito naquele lance de: pessoas de bem com a vida nunca permanecem sozinhas), alguma delas há de abrigar meu momento.

E você continuará, permanente, adormecida no seu devido lugar, porquê você nem existe mais.

Oct 22

Meus devaneios são curtos; longos os pensamentos sobre a vida. Normalmente eles me levam para o ‘nada’. Ninguém. Apenas meus pensamentos. Silêncio. Apenas os devaneios, curtos e presentes.

Me embriago só, brindo ao ar conquistas. Planos de um futuro incerto. Confiança testada. Provas vazias para meu próprio ego inflado.

Eu critico as futilidades…mas o sou. Não tenho por quem morrer, não tenho sonhos de uma vida, não quero ser cantor, ator ou médico. Quero tudo. Saltar de pará-quedas, viajar o mundo, ser herói e vilão.

Ser tudo é não fazer nada direito. E ser nada…é literal. Não sei o que quero.

Oct 8

Baseado em uma noite de psicologia real.

“Nós conhecemos alguém, ficamos juntos, aprendemos a gostar. Aí nossa intolerância entra em cena, ela anda lado a lado com nosso egoísmo, nosso orgulho.
Nós provocamos mudanças de comportamento. E depois deixamos de gostar da pessoa porquê ela não é mais aquela que conhecemos!
Paradoxal!”

Eu não me liberto porquê não quero, para tal batalha não existe recompensa à altura. É egoísmo. É esperança maldita que habita no fundo de toda a exagerada auto-crítica. É a sombra de toda a revolta pelas coisas que não acontecem do jeito que quero, foda-se ela e o que ela pensa.

Vivo prazeres curtos, sem intensidade porquê a busco em soberba. A sede anula o que poderia ser.

Eu costumo falar de mim mais do que deveria, insegurança diriam alguns. Sei que ontem eu apenas ouvi, falei duro tudo que pensava. Mal sabia o receptor a receptora que tais palavras eram pra mim.

“Pense logo existo. A existência não necessariamente vem acompanhada de vida!”

Sep 27

Tenho tido em demasia nos últimos tempos, pessoas que adoro e converso todos os dias virtualmente, tenho diálogos, conto como foi meu dia, leio, desabafo, brinco, dou risada, me divirto, paz mundial, religião, política, sexo, vale tudo. Mas sinto falta de abraço, de toque. Estar nessa cidade louca, longe dos amigos, trabalhando muito e numa fase de “botar a casa em ordem” tem sido o grande desafio; tenho superado muito bem, porém expõe essas feridas, me deixa nu diante dessa necessidade de afeto.

É só saudade de alguém pra ligar, pra dar bom dia ou boa noite, perguntar como foi o dia só pra ouvir a voz, marcar um almoço só para estar junto, tomar um sorvete só pra ficar olhando nos olhos.

Vou me alimentando do virtual, que faz-se sentir como aquele alguém que está te olhando fixo, e mesmo de costas, você sente aquela necessidade de olhar, é sensitivo, é virtual!

Sep 9

Olhar distante, queria estar longe mas se perde dentro de mim. Não consigo descansar, nem quando durmo. A cabeça não para, vai e volta num ciclo viciante de tudo!

Fase complicada, vou me afundar em trabalho por um tempo pra relaxar. Dar tempo ao tempo…tempo…tem-po…palavra escorregadia, passa por ti e você nem percebe; depois volta te cobrando promessas, sonhos e angústias. Olho distante porquê não estou aqui. Onde troca de canal?

Entre tantos começos e recomeços na vida e ainda me perco; foi mais fácil me mudar de cidade, sem grana e cheio de disposição; trocar sentimento é ainda um mistério…

Sempre tive dificuldade para criar raízes, mas elas vão fundo. Vou botar um pouco de supérfulo na vida, preencher o vazio com mais vazio.

Se perguntarem por mim, diz que fui por aí!

Sep 4

…para aquecer a alma deste que se torna frio; que se perde em trabalho e responsabilidades. Esse que errou um dia por omitir, temer e mentir; hoje peca pelo excesso. Cuidado, sinceridade pode fazer-te perder o tato, que tem falhado com preocupante regularidade. Guarde para si verdades que não vão mudar em nada o curso do rio…e use com sabedoria QUANDO e SE necessário. Tolo!

- Ei, garçom, não demore com o vinho, não demore…

Aug 26

Se voltasse no tempo com toda a experiência que tenho hoje não cometeria os mesmos erros.
Cometeria outros, tá, poderiam ser pequenos e insignificantes, porém isso me tornaria uma pessoa chata, perfeita demais. E se tem uma coisa que aprendi a evitar é essa idéia de perfeição, certo, ideal…como disse o Coringa no último filme do Batman: “Eu sou um cachorro louco que está correndo atrás dos carros. Eu não saberia o que fazer se pegasse um.”

O clichê que quero é: viver um dia de cada vez todas as experiências possíveis, viajar pelo mundo, conhecer, aprender.

Quando se perde a “razão” de fazer coisas sobra a vontade, como o cachorro que corre atrás do carro. Continuar nesse ciclo de cometer erros, se arrepender, aprender com eles e guardar para si a vivência é uma excelente vontade, que cobre por hora esse vazio existencial.

May 14

Largado, barbado.
Insônia, mesmos problemas.
Mesmos erros.
Nunca aprendo.

Barbado largado
    [ e assim o quer
Como era mesmo?
Alguém pra cuidar
    [ pra cuidar de mim

E o maldito relógio continua
Não aprendo, não mudo
Mas sei que não será sempre assim
O que muda é o mundo!

Douglas Miguel
14/05/2008 às 00h20

Apr 25

Padre voando em balõesSeres humanos são racionais.
Eles matam-se uns aos outros,
Por ódio, poder, medo, dinheiro, insanidade,
por amor, pra ir num show do Calypso,
Por puro prazer!

São racionais porque matam a si mesmos,
Por desespero, medo, insanidade, voando em balões, por amor,
Por puro prazer!

São racionais: deixam semelhantes morrerem de fome,
De frio, asfixiados dentro de carros.

Comentam das tragédias alheias no seus almoços de domingo.
Acompanham a dor como novela, e sentem prazer nisso.

Acreditam em deuses, e cultuam objetos.
Tratam o acaso como milagre e o desconhecido com preconceito.
Não conhecem seu passado e cagam no seu futuro.

Seres racionais.

Douglas Miguel
24/04/2008 às 23h00

« Anteriores Próximos »