Jul 5

Flertes, desencontros, jogos, brincadeiras, excessos, frustações, exposição demasiada numa tentativa de concertar erros do passado. O primeiro semestre foi no mínimo o mais agitado dos últimos anos.

A minha terapia tem sido de choque, na última segunda-feira almocei na casa da ex, fui fazer um favor, um pedido da minha ex-cunhadinha, nem esperava encontrá-la por lá, mas lá ela estava, linda, num vestido que eu bem conhecia, alguns quilos mais magra. Qual a tática? Essa mesma, conviver com ela, tratá-la como uma comum, tirar toda a aura de magia que eu mesmo criei…o carinho que sinto, interesse, preocupação, esse jamais serão apagados, nem a sua importância em minha vida.

As outras continuam sendo as outras, vou tentando conquistar ao meu jeito tímido e aprendendo mais e mais do jogo. Elas não tem me tirado para fora da minha própria órbita.

Muitos projetos foram realizados, saltei de paraquedas há duas semanas, viajei novamente para a Serra da Canastra no último final de semana e na última segunda fiz minha 4º tattoo. Já tinha viajado ao sul do Brasil na Páscoa, e tenho planos para mais algumas viajens ainda esse ano, mais alguns saltos de paraquedas e o que mais puder. A facu começa em agosto…é algo que não me traz nenhum sentimento por hora, não tenho mais frio na barriga, medo, entusiasmo…é algo que tenho que fazer e pronto.

Sinto-me finalmente maduro em sampa, recebi uma boa proposta de negócio esse mês, de alguém importante, que pode me abrir muitas portas; parece que tenho sido mais observado do que imagino. E ainda continuo de calça social e all-star, a mesma cara de muleque, falador e sempre disposto; longe dos amigos e de olho nos inimigos, que tento manter por perto.

Engraçado, tinha algo importante que estive pensando esses dias, até formulei algumas palavras para escrever aqui. Foda-se. É madrugada de sábado, já tomei meia-garrafa de vinho, vi um filme antigo; minha vontade agora era de enviar um SMS desejando “boa noite” e dormir; terei que me contentar em apenas dormir. Boa noite.

May 23

Não tenho medo do desconhecido, nem temo estar só, em todos os sentidos; fiz minhas escolhas e a vida segue. Medo eu tenho do meu “sexto sentido”, do que sinto em relação ao mundo, a sensível perpecção que muitas vezes tenho dele.

Estar certo em relação as minhas previsões me assusta, me enche de preconceitos para a tentativa; e este nem é o maior medo, pois sabendo da mínima chance de estar errado à “primeira impressão” arrisco, claro, preparado para a mágoa que segue. Acho que tenho um Q masoquista. É prazeroso saber-se certo.

O meu medo maior é a dor que sinto quando as outras pessoas não correspondem as minhas expectativas, quando são elas que não percebem o que se passa, quando elas fazem suas próprias escolhas…quando contrariam meu egoísmo e fazem o acham que é certo, afinal, se é a decisão delas, é o CERTO. Tenho medo do meu egoísmo, pois é ele que machuca.

Jan 28

Primeiro você chega atirada. Diz pra mim com todas as letras: “Reparo muito mais em você, do que você em mim!”. Aceita o convite para um almoço, me convida para uma viajem delicioso ao sul de Minas, trata com carinho.

Tens um sorriso lindo, de menina. Passa maturidade, segurança.

Mas aí, como uma miragem no meio do Saara, some, ocupada sempre, não aparece mais à noite. Mudança total e brusca.

Ainda estou tonto. Não sei se foi algo que eu disse…ou se é isso mesmo. Minha ansiedade sempre fode com minhas ações. Nem tive oportunidade de conhecer e já deu saudade.

Jan 24

Engraçado como não te reconheci das últimas vezes que te vi. Muito mudou, já fazem anos…é…anos, aqueles mesmos que nos juramos inúmeros momentos. Dois meninos.

Sempre que te vejo sinto algo novo, talvez seja isso que impeça de explicar.
Tem algo intágivel que sempre vai permanecer adormecido (agora) dentro de mim, é você, mas o ‘você’ que eu conhecia, ‘você minha’.

Preciso ser claro, esse texto não é mais um daqueles lamentos de perda. Esse tempo já se foi. Tem dias que bate forte um mal estar, apenas me lembro do ‘poderia ter sido’.

Feliz cá estou, depois de um ano duro. E essa tranquilidade me abriu portas, muitas (sim, acredito naquele lance de: pessoas de bem com a vida nunca permanecem sozinhas), alguma delas há de abrigar meu momento.

E você continuará, permanente, adormecida no seu devido lugar, porquê você nem existe mais.

Dec 2

A: Não achei que fosse me ligar hoje novamente.
B: É, nem eu…não mesmo.
A: Você sempre some.
B: Eu sei. Eu sou assim. Aliás…o que eu tô fazendo aqui?
A: (risos).
B: (risada sem graça).

B: Então, não consigo entender isso, essa coisa, sabe, é melhor você ficar longe, é mais seguro.
A: Mas o que tem demais.
B: Fica longe, sério, é perigoso. Você só me encosta…e nossa…
A: É realmente fascinante isso nas pessoas né. Adoro!
B: Me explica como consegue?
A: Eu não sei. Toco em você como em qualquer outra garota, trato você do mesmo jeito, quando estou com você, sou “eu”, nada planejado…mas sinto que você recebe isso de maneira mais intensa, não consigo explicar. (Pensando em como se sente deliciosamente bem com isso, esse poder!)

Depois do papo sobre religião, crenças e filosofias.

B: Eu acho que se nós namorassemos, não daria certo.
A: Porque, explica. (Ela quer explicação de tudo hoje…)
B: Não sei, mundos diferentes, pensamentos diferentes.
A: Mas você mesmo disse que eu sou legal, que adora minha companhia.
B: É, mas acho que um namoro não daria certo.

Papo sobre amores do passado, namorados(as) e relacionamentos que marcaram.

A: Você namoraria comigo? (enfática)
B: Acho que sim.
A: Mas acabou de dizer que não namoraria…
B: Eu disse que ‘acho que não daria certo’. É puro achismo, mas eu tentaria…A verdade é que eu não estou pronto pra namorar agora, curtindo muito essa fase. (Além do que a amizade colorida é ótima, poderia estragar tudo!)

A conta foi paga, e no caminho de ida eles continuam conversando.

A: Tenho que te encontrar de novo.
B: Hum…
A: Pra terminar o que começamos no sábado!
B: (risada)

De repente param, se olham nos olhos, ele dá-lhe um beijo daqueles, o controle é seu…por instantes. Ela fica alguns segundos sem fala.

A: Porque você faz isso?
B: Não gostou…?
A: Porque você faz isso?
B: Mas eu não fiz nada demais. (com cara de inocente)

B: Sexta-feira vai tocar aquela banda que te falei no barzinho perto de casa.
A: Ah, não sei, vou ver minha agenda…Tenho que te ver.
B: Me liga.
A: Eu tinha que sumir…isso tá virando vício. (passando a catraca)

Ele sai dando risada, como há tempos não ria. Ela, olha para trás duas vezes…apenas para vê-lo ainda rindo-se.

Oct 8

Baseado em uma noite de psicologia real.

“Nós conhecemos alguém, ficamos juntos, aprendemos a gostar. Aí nossa intolerância entra em cena, ela anda lado a lado com nosso egoísmo, nosso orgulho.
Nós provocamos mudanças de comportamento. E depois deixamos de gostar da pessoa porquê ela não é mais aquela que conhecemos!
Paradoxal!”

Eu não me liberto porquê não quero, para tal batalha não existe recompensa à altura. É egoísmo. É esperança maldita que habita no fundo de toda a exagerada auto-crítica. É a sombra de toda a revolta pelas coisas que não acontecem do jeito que quero, foda-se ela e o que ela pensa.

Vivo prazeres curtos, sem intensidade porquê a busco em soberba. A sede anula o que poderia ser.

Eu costumo falar de mim mais do que deveria, insegurança diriam alguns. Sei que ontem eu apenas ouvi, falei duro tudo que pensava. Mal sabia o receptor a receptora que tais palavras eram pra mim.

“Pense logo existo. A existência não necessariamente vem acompanhada de vida!”

Sep 7

Foi tão bom ouvir tua voz, tanto tempo depois, amadureceu, gostei. Foi bom te ver guerreira, firme. Enfrentando a vida como eu sempre quis te ver, sempre te soube capaz.

Não sei onde tudo isso vai dar, mas fico feliz em saber que consegui te passar algo de bom (sim, vejo muito de mim nestas atitudes); e saber que você vai vencer, independente de quem esteja ao seu lado; porém não nego que vejo-me nesta cena.

Fato é que tirei um peso das costas, umas duas toneladas…acordei bem hoje, certo de que tomei a melhor decisão, e de as coisas estão caminhando na sua ordem natural. Às vezes as falhas trazem coisas boas consigo. Bom ouvir tua voz.

Mais uma vez bateu forte aquela vontade de cuidar, abraçar, conversar, guiar e acalmar. É simples meu desejo: fazer-te feliz, ser o teu alicerce. Problemas vêm e vão…mas os sentimentos ficam!

Você merece mais que uma vida presa em apenas um lugar. Tem força, precisa viver o mundo. Vem, vamos rodar!

Aug 28

Piada, assim eu vejo. Por que diabo aparece em nossas vidas pessoas com o mundo para oferecer e nós simplesmente não queremos.

Fiquei sozinho por meses reclamando, da solidão, da falta de alguém. Quando encontrei alguém na mesma situação, uma pessoa disposta a estar ao meu lado, que se entregou, simplesmente ignorei (inconsciente). É uma pessoa especial, legal, com quem adoro conversar…mas faltou aquele “Q”, ou sei lá como você chama isso. Eu não sou o tipo que consegue levar relacionamentos assim pra frente…apenas para ter alguém, para ter sexo, ou qualquer outra coisa…sinto falta mesmo é de companhia, de companheira!

Atormentado por fantasmas, ou, como ela mesma me disse, “Por pensar demais!”; é, eu penso demais, analiso demais, calculo demais…mas o problema não é esse, meu problema é ser frio, preciso de tempo para quebrar o gelo. Eu não digo que amo na primeira semana. E não consigo esconder certos deslizes…dar importância para pequenos detalhes, quando os mesmos passam despercebidos aos olhos.

Se junta a isso a correria de SP, ao momento de vida conturbado e a merda esta pronta.

Sozinho novamente. Sem pressa. Sem grilos. Eu já aprendi que cuidar de mim é o mais importante, e o resto acontece com a mesma naturalidade do envelhecimento.

Jul 15

Te conquistei, com um olhar
Você sorriu pra mim, teve medo
mas sorriu.

Te conquistei, a quanto não conquistava
saudade de um sorriso sincero.
Como é bom te ver sorrindo.

Eu também tenho medo,
de admitir que gosto, que tenho pressa
que tenho saudade.
Também te quero!

Te conquistei, mas você também me conquistou!

Jun 2

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.

Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada ‘dois em um’, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.

Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.

Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo prá gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho.

E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

Crônica de Marta Medeiros (jornalista RS).

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