Comentei no último post sobre algo que queria escrever e tinha esquecido, pois, lembrei-me. Sobre uma pessoa que perdi, uma amizade que durou algumas semanas com uma intensidade de anos a fio. Vou chamá-la de Marina, e a nossa amiga em comum de Ju.
Conheci Marina através da Ju, uma grande amiga de muitos anos. Ela me encantou. Sério, fiquei olhando-a durante todo o tempo que estivemos próximos, num churrasquinho, e olha que eu estava acompanhado e cuidando da churrasqueira. Depois que minha ficante foi embora fui procurar saber mais sobre ela e Ju disse: “Esquece, ela tem namorado.”
E foi exatamente o que fiz.
…
Meses depois aconteceu uma excursão da faculdade que as duas estudavam, para SP, tive oportunidade de conversar com Marina. Nos encontramos no MASP e depois fui de penetra no bus da excursão para o Shopping Center Norte. No dia seguinte Marina me add no MSN, e isso foi o começo de longas madrugadas batendo papo, várias e várias vezes foi necessário passar o dia na empresa na base do café por conta “das noitadas”. O papo era sempre ótimo, temos maneiras parecidas de pensar, e é óbvio que isso tornou-se um afrodisíaco, intensificando a amizade. Em poucos dias sabíamos muito da vida um do outro, e nos tornamos confidentes.
Eu realmente estava feliz com a amizade dela, nunca pensei em sacanear o namoro dela, apesar do pequeno climinha; apenas pensava, “se o namorado não existisse”, mas como ele existia, nada podia fazer, apenas respeitar.
O aniversário de Marina estava próximo, e ela me pediu um presente, um CD com algumas músicas, disse que um não seria suficiente, e acabei gravando dez. Eu sou assim, principalmente quando se trata de música.
Organizei de ir pra Uberaba no final de semana da festinha. Fui apresentado ao namorado e família dela. Simpatizei com ele, e fiquei feliz de saber que ela tinha alguém legal do lado. A Ju e suas amigas do churrasquinho completavam os convidados, festinha bem intimista, coisa simples. O problema foi a atenção que Marina me deu, um pouco incomôdo, mas fui bebendo e ficando por lá, sempre que ameaçava partir ela insistia para que ficasse e ajudasse a terminar as cervejas…eu, mesmo percebendo o que acontecia, deixei rolar (grande erro!). Claro, acabou se tornando um desconforto a situação toda. Fiquei lá tempo demais, perdi o ‘timing’ pra ir embora.
Voltei pra SP e nossos papos no MSN continuaram como sempre. Cerca de um mês depois eu voltei à Uberaba. Marquei de ir à um restaurante que gosto muito, um jantar. Chamei Ju, Marina e o namorado, além de outros amigos, às 20h00. Tanto Marina quanto Ju me deram garantia de presença, e lá pelas 21h00 ainda não haviam aparecido.
Liguei pra ela para perguntar o que acontecia (em tom bem humorado e brincalhão), percebi que havia algo errado, ela e o namorado estavam discutindo…e ela disse que não iria mais, e que depois Ju me explicaria o motivo. A ficha caiu na hora…e me dei conta de toda a merda que já estava rolando.
Na mesma hora liguei pra Ju, e ela confirmou tudo…os dois brigaram feio por minha causa no dia do aniversário (ninguém me contara) e também aquele dia. O cara queria ir no restaurante, mas era pra me dar uns socos.
Marina apareceu mais algumas vezes no MSN, mas…nunca mais o papo foi o mesmo, perdi uma grande pessoa com quem me identifiquei desde o dia que conheci. Levantei várias teorias sobre tudo isso: que ela tinha se envolvido comigo, que estava confusa, ciúmes doentios do namorado; e pensei sobre a minha parcela de culpa nisso tudo…
Esses fatos ocorreram no segundo semestre de 2008. A coisa toda se apagou aos poucos, eu até esqueci; Mas na semana passada me bateu uma saudade dos papos, das madrugadas sem sono, do entrosamento, do “adivinhar exatamente o que o outro estava pensando”; da amizade, pura e simplesmente.


